Latitudes #61Concursos literários, editais, cursos de literatura, eventos literários e financiamentos coletivos entre 3 e 30 de junho.Concursos literários e cursos de literatura3 de junho[São Paulo] Aulas gratuitas de dramaturgiaA Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, continua a realizar a série gratuita “Como Escrever Teatro”, com palestras de dramaturgos. As aulas acontecem no Auditório Rubens Borba de Moraes, sempre das 19h às 20h45. Os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência no local. [Brasil] Curso: Samba-canção e Bossa Nova: o Samba se moderniza nas noites de CopacabanaNão é literatura, mas o RelevO indica (não é “publi”). Flávio Mendes, do excelente canal O Arranjo, começará amanhã um curso de quatro encontros (terça-feira, 19h) – ao vivo, com gravações disponíveis – sobre a modernização da música brasileira nos anos 1950, a época do samba-canção. Inscrições aqui. 6 de junho[Brasil] Prêmio Cadeado de ChumboJornalistas e cidadãos que tiveram pedidos negados com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) podem indicar casos para o Prêmio Cadeado de Chumbo, realizado pelo Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas e pela RETPS. A premiação destaca as piores respostas de órgãos públicos em seis categorias, como “Lero-lero”, “Passa ou repassa” e “Não fale conosco”. 8 de junho[Brasil] Bolsa IMS de PesquisaO Instituto Moreira Salles recebe inscrições para a 6ª edição da Bolsa IMS de Pesquisa. Serão selecionados dois projetos inéditos, com foco em fotografia ou artes visuais, que abordem os trabalhos de Lily Sverner e Hilde Weber. Cada contemplado receberá R$ 36 mil, pagos em 12 parcelas mensais. [Brasil] Edital da Flup para livro infantil de autores periféricosA Festa Literária das Periferias (Flup), em parceria com a Editora Voo, está com o edital Bota Fé na Leitura, que premiará uma autora negra e um(a) ilustrador(a) negro(a) da periferia com a publicação de um livro infantil, aberto. As inscrições são gratuitas. Os selecionados terão acompanhamento editorial e receberão exemplares da tiragem. 9 de junho[Brasil] Aula aberta sobre fundamentos do roteiroRicardo Tiezzi ministra aula aberta via Zoom, pela Seiva, sobre teoria e prática da escrita para TV e cinema. Com foco na criação de personagens, estrutura e argumento moral, o encontro inclui laboratório prático e simulação de sala de roteiro. Inscrições aqui. [Brasil] Prêmio Sebrae de JornalismoA 12ª edição do prêmio recebe inscrições de matérias em quatro categorias: Texto, Áudio, Vídeo, Fotojornalismo e Jornalismo Universitário. Os vencedores levam celulares de última geração e notebooks. 10 de junho[Brasil] Prêmio Vladimir HerzogEstão abertas as inscrições para a 47ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Podem ser inscritos trabalhos produzidos entre 2023 e 2025, nas áreas de texto, foto, vídeo, áudio, arte, multimídia e livro-reportagem, realizados por jornalistas, repórteres fotográficos, ilustradores e escritores. 11 de junho[Brasil] Aula gratuita sobre escrita em tempos políticosA aula “Tempos políticos: escritas de si em tempos conturbados”, com a tradutora e pesquisadora Gisele Eberspächer, é gratuita e acontece das 19h às 21h, via Google Meet. Ela reflete sobre a relação entre literatura e contexto político a partir de ensaístas como George Orwell, Wislawa Szymborska e Svetlana Aleksiévitch. 16 de junho[Brasil] Curso de Gestão de LivrariasEstão abertas as inscrições para a nova edição do curso Gestão de Livrarias: Formação para Livreiros, promovido pela Casa Educação em parceria com a Catavento Distribuidora. As aulas on-line e ao vivo começam em 16 de junho e ocorrem às segundas e quartas-feiras, das 19h às 21h10. 23 de junho[Curitiba] Edital para literatura do Fundo Municipal da CulturaCuritiba está com 13 editais abertos para a área de cultura. Um deles é voltado à literatura para iniciantes e coletivos de escritores, com o fomento à produção de oito obras literárias inéditas nos gêneros romance, conto, poesia, crônica e literatura infantojuvenil. O valor do edital de literatura é de R$ 290 mil. 25 de junho[Brasil] 2º Prêmio Candango de LiteraturaEstão abertas a participantes de todos os países de língua portuguesa as inscrições para o prêmio realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. Dividida em três pilares — obras de caráter literário, editorial e iniciativas pedagógicas de incentivo à leitura —, a iniciativa distribuirá R$ 195 mil a escritores, designers e projetos de incentivo à leitura. 27 de junho[Brasil] Bolsa ZUM/IMS 2025A 13ª edição da Bolsa ZUM/IMS está com inscrições abertas até 27 de junho. Serão selecionados dois projetos inéditos nas áreas de fotografia e imagem, que receberão R$ 80 mil cada e terão oito meses para finalização. Os trabalhos integrarão a coleção de arte contemporânea do Instituto Moreira Salles. 30 de junho[Brasil] Prêmio Pallas de LiteraturaAutores negros residentes no Brasil podem participar do Prêmio Pallas de Literatura 2025, voltado a romances inéditos. A premiação inclui publicação da obra e tutoria com acompanhamento editorial. A organização é da Pallas Editora. [Brasil] Prêmio Bem-te-vi de Literatura para a InfânciaA Physalis Editora está com inscrições abertas para o Prêmio Bem-te-vi. A premiação inclui publicação com tiragem mínima de mil exemplares, prêmio em dinheiro e título de adiantamento de direitos autorais. Feiras e festivais literáriosOlhar de Cinema - Festival Internacional de CuritibaA 14ª edição do festival acontece de 11 a 19 de junho, com mais de 90 filmes na programação, entre longas e curtas-metragens, entre estreias mundiais, nacionais, clássicos e produções infantis. O evento também contempla o 1º MECI — Mercado do Cinema Independente, um evento que nasce com o objetivo de fortalecer o cinema independente, criando um espaço dedicado à conexão entre realizadores, distribuidores, exibidores, plataformas de streaming, canais e profissionais do setor audiovisual. A Feira do LivroEntre 14 e 22 de junho, a Praça Charles Miller, no bairro do Pacaembu, em São Paulo, recebe a quarta edição d’A Feira do Livro. O festival literário gratuito reúne mais de 150 editoras, livrarias e instituições ligadas ao livro e à leitura. A programação inclui debates, oficinas, sessões de autógrafos e, neste ano, estreia o Espaço Rebentos, dedicado ao público infantil. Rio International Publishers SummitEm 11 e 12 de junho, o Rio de Janeiro sedia a segunda edição do Rio International Publishers Summit, promovido pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). O evento reunirá profissionais do mercado editorial nacional e internacional para discutir temas como inteligência artificial, sustentabilidade, práticas ESG e políticas públicas para o setor. A programação inclui painéis, rodadas de negócios e visitas técnicas. Bienal do Livro Rio 2025Entre 13 e 22 de junho, o Riocentro será palco da Bienal do Livro Rio 2025, com mais de 200 horas de atrações para todos os públicos. A programação traz nomes como Ailton Krenak, Conceição Evaristo, Marcelo Rubens Paiva, Drauzio Varella, Pedro Bial e Miriam Leitão. Na cena internacional, nomes como a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, a cubana Teresa Cárdenas e o mangaká japonês Nagabe participam. 33ª Convenção Nacional de LivrariasA 33ª edição da Convenção Nacional de Livrarias será realizada em 12 de junho, no Lagune Barra Hotel, no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, o evento acontecerá em um único dia, trazendo uma programação intensa e focada na união do setor para superar os desafios do mercado nacional. Promovido pela Associação Nacional de Livrarias (ANL), o evento tem como tema “O ecossistema do livro”. Financiamentos coletivosO Arcano ZeroA Cartola Editora está com financiamento coletivo aberto até 7 de junho para publicar uma antologia que segue os passos errantes do Arcano Zero por mundos mágicos e territórios esquecidos. Coleção Pecados Capitais: FúriaEstá em andamento, pela plataforma Catarse, o financiamento coletivo para publicação da do primeiro livro da coleção, fruto de um concurso literário no Instagram do Grupo Editorial Triumphus. Mais de cinco mil textos competiram pelas 98 vagas que dão voz à obra que tem a Fúria como tema. A coleção conta com 9 obras no total. |
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segunda-feira, 2 de junho de 2025
Latitudes #61
terça-feira, 27 de maio de 2025
As margens de um jornal ou de um joelho
As margens de um jornal ou de um joelhoChegamos no Reclame Aqui; consultorias literárias; George Bernanos.
Eu Bom dia, assinantes e colaboradores do RelevO. Com um pé no mês de junho e já apostando no novo quadrado mágico da Seleção Brasileira de Futebol, ou piazza magica — Alex Sandro, Alexsandro, Andreas Pereira e Andrey Santos —, trazemos três recados na circular de hoje. 1.O RelevO sempre habitou margens. As margens do mercado editorial, da lógica empresarial, do tempo cronometrado. Mas também as margens da linguagem — onde o experimental, o insuspeito, o inacabado e o sincero encontram abrigo. O RelevO carrega em seu eixo uma certa margem de ridículo. Ou melhor: de honestidade mesclada com uma boa dose de constrangimento. Em meio a envelopes encharcados, mensagens relembrando a demora nas devolutivas de textos enviados, críticas acerca dos critérios de publicações — certa vez, um escritor chamou o nosso feeling de seleção de escrotérios —, elogios insuspeitos ou desajeitados, assinaturas espontâneas e pedidos de parcerias, seguimos tentando entender o que é fazer um jornal literário impresso no Brasil em 2025. Naturalmente, com seus encantos e tropeços. Depois de 15 anos, o RelevO chegou ao Reclame Aqui, que, ao contrário do nosso periódico, dispensa apresentações. Uma assinante (agora ex-assinante) e tradutora (ou traduttore) — teve, inclusive, material publicado em edição recente — pediu estorno da assinatura após os Correios ainda não entregarem a edição de maio e atrasarem as entregas de março e abril. Também reclamou (com razão) da pouca celeridade na resposta à reclamação via e-mail. Resultado: fomos notificados. Então, tal qual uma empresa com presença na bolsa de valores e com políticas de reputação on-line, resolvemos em cinco minutos a situação, devolvemos o dinheiro e ficamos com -R$ 120 na conta — em maio, nosso prejuízo, entre gastos e entradas, está em R$ 1300. Ainda: o exemplar de maio provavelmente não vai chegar mesmo porque, além de a ex-assinante certamente não querer mais ouvir falar do nosso periódico ou do nosso mascote Relevito¹ —, o publisher-jornaleiro conseguiu romper parcialmente os ligamentos do joelho esquerdo na semana passada, prejudicando substancialmente a logística e a atualização da caixa de entrada. Mas essa semana estamos novamente na ativa com os malotes. Vai dizer que você não ficou com vontade de ter um jornal de literatura também? Depois dos prejuízos e dos efeitos dos remédios — pagos no cartão de crédito porque saúde em primeiro lugar, depois pensamos nos custos do plano de saúde —, entrei no modo operacional de entender por que somos o que somos. A verdade é que ser independente é isso: um eterno revezamento entre o romântico e o patético. Um dia você está planejando a 200ª edição de um jornal literário (estamos indo para a #194) e sonhando com o Nobel Alternativo de Cultura Brasileira. No outro, está respondendo e-mail de cobrança no meio da ressonância magnética. Manter um jornal independente significa operar sem estrutura empresarial robusta, sem departamentos específicos para atendimento, logística ou contabilidade. Toda operação depende de uma equipe enxuta (ou de uma única pessoa em algumas funções), o que amplia o risco de falhas operacionais e sobrecarga emocional. A ausência de capital de giro, típica de projetos culturais autônomos, também agrava a capacidade de resposta diante de imprevistos, como atrasos dos Correios ou problemas de saúde. O RelevO não faz os exercícios de membros inferiores na academia. E ainda tem o ego ferido do editor de saber que a única reclamação no Reclame Aqui da história do Jornal é legítima e nos ajudou a lembrar que somos um esforço coletivo com pontos cegos. Não se trata de uma entidade mística que sobrevive sozinha. Dependemos de gente, dos Correios, de saúde física, do tempo, do humor, da adesão, de um certo regime de fé. Aliás, se o seu exemplar está atrasado, não deixe de nos avisar. Mesmo. Além disso, projetos independentes costumam funcionar com margens apertadas e orçamentos comprometidos por despesas fixas (como impressão, postagem, servidores, taxas bancárias, equipe etc.). Em um cenário de renovações de assinaturas cada vez mais rotativas, instabilidade econômica e dependência dos Correios como canal logístico, a capacidade de manter a operação sem interrupções exige planejamento rigoroso e resiliência constante. O desafio não está apenas na criação de conteúdo, mas na gestão sustentável do ecossistema que o torna possível. E aí, entre uma dose de anti-inflamatório e outra de resignação, vem o pensamento: se é tão difícil, por que continuamos? Porque seguimos acreditando na importância da circulação física do impresso como forma de criar vínculos reais com o leitor. O envio de um jornal de papel, mesmo diante dos desafios logísticos e financeiros, representa uma defesa ativa da permanência do texto literário fora dos algoritmos e da velocidade das redes. É um gesto de presença, de continuidade e de memória. Queremos ficar em sintonia com os assinantes, com os Correios, com a dor no joelho e, quando dá, com a gente mesmo, porque, no fundo, gostamos muito dessa cachaça feita de chapa, papel, tinta e caracteres. Com ou sem dinheiro, com ou sem ligamento, o RelevO ainda permanece. 2.
E o que temos feito para captar novos recursos e manter o periódico em circulação com menos notificações e mais caixa? Nos últimos meses, começamos a oferecer consultorias literárias de forma mais estruturada, com foco em leituras críticas e em orientar autores nos caminhos da publicação, da preparação de originais e das estratégias para fazer o texto chegar em mais leitores — um trabalho que já fazíamos informalmente desde 2010, mas que agora ganhou corpo e escopo (e, por que não dizer, menos vergonha de divulgar. Como todos, sofremos de certa síndrome do impostor). Esse novo passo profissional foi importante, inclusive, para sustentar o próprio jornal em momentos mais delicados nas finanças, como nos últimos três meses. Em maio, conseguimos estabelecer o saudável calendário de uma consultoria por semana, fortalecendo o nosso orçamento, algo que você poderá conferir na prestação de contas de junho. Se tiver interesse pelo serviço, não hesite em nos acionar. Até para entender seus objetivos específicos. 3.Neste quase epílogo, sabemos que o Jornal cresceu em leitores, em alcance e em número de colaborações, mas mantém uma estrutura praticamente artesanal. É por isso que passamos a prestar contas de modo ainda mais detalhado; contar os gargalos da logística, os acertos, os erros e as pequenas vitórias que nos sustentam mês a mês. Essa transparência não é um gesto protocolar: é uma tentativa de manter aberta a ponte com quem caminha conosco. É dizer: “Estamos tentando. Estamos atentos. Sabemos onde falhamos — e onde precisamos melhorar”. Sabemos também que o modelo atual, mais centralizado do que deveria, não é mais compatível com o tamanho que o RelevO alcançou. Mas não queremos, por outro lado, nos transformar em algo impessoal, engessado ou automatizado. Crescer, para nós, precisa significar crescer com coerência. Isto é, manter o vínculo sem deixar a engrenagem solta. Também passa, sobretudo, por mais fôlego financeiro. Em tempos em que tudo é rápido, automático e padronizado, acreditamos que ainda faz sentido existir algo como o RelevO — um jornal de papel que erra, que produz humor, que é escrito e montado manualmente, mas que tenta conversar com seus leitores como quem escreve uma carta. Não queremos ser só mais uma entrega no meio da pilha de correspondências ou uma reclamação pública seguida da carinha triste clássica ☹️, a original, demonstrando tristeza, decepção, preocupação ou reação a uma notícia ruim. Queremos criar vínculo, provocar, tensionar o texto e, ao mesmo tempo, abrir espaço para vozes que não se encaixam no circuito literário tradicional. Para que isso continue sendo possível, precisamos de escritores, precisamos de leitores, precisamos de assinantes. Não parece um circuito tão complexo em uma leitura rápida. Por fim, a quem segue conosco, mesmo diante dos tropeços, deixamos aqui um obrigado que não é genérico. É direto: obrigado por insistir. Por cobrar. Por assinar. Por responder. Por rir de nós (ou conosco). Estamos aqui, mais uma vez, tentando resolver o que precisa ser resolvido — sem perder de vista o que nos faz continuar. Com atenção e comprometimento, Daniel Zanella 1 Aliás, assistam ao comovente Pangolim: a viagem de Kulu, novo filme da cineasta Pippa Ehrlich, a mesma de Professor Polvo. © 2025 Jornal RelevO |
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