Latitudes #78Concursos literários, editais, cursos de literatura, eventos literários e financiamentos coletivos de 3 de novembro a 1º de dezembro.
Concursos literários3 de novembro[Brasil] Curso “Desenhe todo dia”A Seiva está com inscrições abertas para o curso online Desenhe todo dia, com o cartunista Adão Iturrusgarai. Ao longo de novembro, os participantes recebem 30 propostas de exercícios diários e têm aulas ao vivo às segundas-feiras (9, 16, 23 e 30 de novembro, às 19h30). Não é preciso ter experiência com desenho. 5 de novembro[Mato Grosso] Prêmio de Jornalismo do Governo de Mato GrossoEstão abertas as inscrições para a segunda edição do Prêmio de Jornalismo do Governo de Mato Grosso, que reconhece reportagens sobre ações, projetos e políticas públicas do estado. Jornalistas e fotógrafos concorrem nas categorias Impresso, Internet, Vídeo, Áudio e Fotografia, com prêmios de R$ 50 mil, R$ 35 mil e R$ 20 mil para os três primeiros colocados de cada uma. [Brasil] Curso “Como trabalhar com audiolivros”A Seiva realiza aula online e gratuita sobre o trabalho com audiolivros, ministrada por Antonio Hermida e Fabio Uehara. O encontro aborda práticas de mercado e oportunidades para quem quer adentrar o campo. 7 de novembro[Brasil] V Prêmio Literário de Direitos Humanos Prof. Eduardo C. B. BittarO Terceira Margem, grupo de pesquisa em Filosofia, Literatura e Direitos Humanos da UFMT, recebe contos, crônicas e poemas com o tema “As emoções da injustiça”. A participação é gratuita e aberta a autores de qualquer país, com textos em prosa de até três laudas e poemas de até duas. Os primeiros colocados de cada categoria recebem livros sobre filosofia, literatura e direitos humanos. 12 de novembro[São Paulo] Coda.Br 2026Estão abertas as inscrições para a 11ª edição da Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais (Coda.Br), que acontece em 12 e 13 de novembro, na Fecap, em São Paulo. O ingresso custa R$ 100. 15 de novembro[Brasil] 1º Concurso Literário No Fio da PoesiaA Revista No Fio recebe poemas inéditos de tema livre, com até três laudas, para seu primeiro concurso literário, aberto a autores de qualquer país. O primeiro lugar ganha R$ 500, e os 21 poemas mais bem colocados integram uma antologia digital prevista para o início de 2027. 17 de novembro[Brasil] Curso “Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa”A Universidade do Livro recebe inscrições para um curso online e ao vivo sobre Grande Sertão: Veredas, romance que completa 70 anos de publicação em 2026. As aulas, ministradas pela professora de literatura brasileira da USP Yudith Rosenbaum, acontecem em 17 e 18 de novembro, das 19h30 às 21h30, pelo Google Meet, e ficam disponíveis gravadas por 30 dias. 23 de novembro[Salvador] IV Sarau da OnçaO Coletivo Sarau da Onça recebe poemas e contos de tema livre para a antologia do IV Sarau da Onça, em Salvador. A participação é aberta a todos os interessados, mas os autores selecionados devem comparecer ao sarau, na capital baiana, para receber seus exemplares do livro. Dúvidas podem ser enviadas para <inscricao.saraudaonca@gmail.com>. 26 de novembro[Rio Grande do Sul] Concurso “Personagens Históricos de São Lourenço do Sul”Estão abertas as inscrições para o concurso literário Personagens Históricos de São Lourenço do Sul, que recebe textos sobre figuras que marcaram a história do município gaúcho. Os textos devem apresentar pesquisa biográfica e contextualização histórica, com extensão entre três e dez páginas. 30 de novembro[Brasil] 1º Bula Prêmio de MicrocontoA Revista Bula recebe inscrições para o 1º Bula Prêmio de Microconto, aberto a textos originais em português, de tema livre, com 300 a 3 mil caracteres. Serão distribuídos R$ 40 mil entre 15 vencedores, com R$ 15 mil para o primeiro lugar. [Brasil] Prêmio Multiverso de LiteraturaO Grupo Multiverso das Letras está com as inscrições abertas para o Prêmio Multiverso de Literatura, voltado a obras de ficção e não ficção para o público jovem adulto e juvenil. A participação é gratuita e restrita a residentes no Brasil, e os autores selecionados recebem até R$ 5 mil. 1º de dezembro[São Paulo] Congresso Internacional da IRSCLA International Research Society for Children’s Literature (IRSCL) recebe propostas de trabalhos para seu congresso internacional, que acontece pela primeira vez no Brasil, de 24 a 28 de julho de 2027, na ECA-USP. Com o tema “Literatura Infantil no Século XXI: Abraçando a Bibliodiversidade”, o evento aceita painéis, mesas-redondas, trabalhos individuais e pôsteres em português, inglês e espanhol. PUBLIEDITORIAL[CURITIBA] Às vésperas do centenário de nascimento de Tom Jobim, celebrado em 2027, o cantor e compositor Zé Luiz Mazziotti apresenta em Curitiba o espetáculo “Mazziotti Canta Tom”. O encontro acontece no sábado, 14 de novembro, às 20h, na Casa Bambuê, no Bom Retiro, em Curitiba (PR). A apresentação de voz e violão propõe uma escuta próxima de algumas das composições mais marcantes da música brasileira. No repertório estão canções como “Águas de Março”, “Lígia”, “Samba do Avião” e “Vivo Sonhando”, além de parcerias de Jobim com Vinicius de Moraes, Newton Mendonça, Dolores Duran e outros compositores. Entre os clássicos selecionados estão “Chega de Saudade”, “Garota de Ipanema”, “Desafinado”, “Samba de uma Nota Só” e “Eu Sei que Vou te Amar”. O espetáculo também contempla composições em parceria com Chico Buarque. Feiras e festivais literários25ª Primavera dos LivrosDe 6 a 8 de novembro, das 10h às 19h, o Museu de Arte do Rio (MAR) recebe a 25ª edição da Primavera dos Livros, feira da Liga Brasileira de Editores (Libre) que reúne mais de 60 editoras independentes. Com o tema “Micropolíticas para um futuro possível”, a programação gratuita homenageia Silviano Santiago e traz convidados como Bráulio Tavares, Luiz Rufino e Renato Noguera, além de saraus, slam e, pela primeira vez, oficinas na biblioteca do museu. 13ª Feira Miolo(s)Nos dias 7 e 8 de novembro, das 11h às 19h, a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, recebe a 13ª edição da Miolo(s), feira dedicada à produção gráfica e editorial independente. Foram selecionados cerca de 300 projetos editoriais, livrarias independentes e ateliês de impressão de 14 estados brasileiros e de outros seis países. A entrada é gratuita. FliConquista 2026De 12 a 15 de novembro, o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, em Vitória da Conquista (BA), recebe a quarta edição da Feira Literária de Vitória da Conquista. Com o tema “Trajetórias e narrativas ancestrais na letra e no som” e curadoria de Ester Figueiredo, a programação aproxima literatura, oralidade, memória e música, com mesas literárias, cinema, teatro, contação de histórias, saraus, cordel e lançamentos de livros. Virada Nerd 2026Nos dias 14 e 15 de novembro, acontece a 12ª edição da Virada Nerd, evento dedicado aos quadrinhos organizado pela editora Devir, com programação no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Durante a Virada, o Dia do Quadrinho Grátis distribui HQs criadas pelas editoras em uma rede de mais de 100 lojas e livrarias de todo o país, além de pontos parceiros como o FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos. 28ª Festa do Livro da USPDe 25 a 29 de novembro, a Cidade Universitária, em São Paulo, recebe a 28ª Festa do Livro da USP, organizada pela Edusp. A edição contará com 245 editoras e aproximadamente 260 mil exemplares à venda, todos com desconto mínimo de 50% sobre o preço de capa. A entrada é gratuita, e a feira funciona das 9h às 21h de quarta a sexta-feira e das 9h às 19h no fim de semana. 6º Festival Mário de AndradeEntre 27 e 29 de novembro, a Prefeitura de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade realizam a sexta edição do Festival Mário de Andrade, com o tema “A cidade lê, a cidade lida”. A Feira do Livro do festival acontece nos dias 28 e 29, das 10h às 19h, na Praça Dom José Gaspar, no Centro de São Paulo, com 32 tendas destinadas a editoras, coletivos literários e autores independentes selecionados por edital. Financiamentos coletivosPlaquete para o fim do mundoO Grupo Editorial Quixote está com financiamento coletivo aberto na plataforma Catarse até a primeira semana de novembro, para a publicação de Plaquete para o fim do mundo, de Brígida Rodrigues, que reúne coleção de poemas sobre as relações humanas, os animais, a natureza, a política, a ciência, a solidão e o cotidiano. Parte do valor arrecadado em todos os kits da campanha será destinada a uma ONG que cuida de animais em situação de abandono e vulnerabilidade. 100 anos de GaboA Editora Cyberus está com financiamento coletivo aberto na plataforma Catarse para a publicação de 100 anos de Gabo: uma antologia de realismo mágico, que reúne 15 contos inéditos de 15 escritores brasileiros em homenagem a Gabriel García Márquez. As narrativas propõem releituras contemporâneas do realismo mágico latino-americano em diálogo com diferentes regiões do Brasil. É possível contribuir até 30 de novembro.
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terça-feira, 3 de novembro de 2026
Latitudes #78
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
E o mundo (ainda) não acabou
E o mundo (ainda) não acabouNem todas as águas são cor de afogamento. Depois das eleições; o que somos e para onde vamos?
Bom dia, assinante e colaborador do RelevO, impresso mensal de literatura com o costume de ter ideias para diversificar as formas de prejuízo. Na circular de hoje, trazemos um recado, ressoando como a primeira respiração depois de uma crise de apneia. 1.De tempos em tempos, e agora em intervalos cada vez mais curtos, o mundo parece empenhado em repetir seus piores capítulos. Mudam os sorrisos das múmias, as caricaturas grotescas, os animais raivosos, as bandeiras e as camisetas, os meios de disseminação de informação e até os inimigos imaginários, mas certas ideias continuam encontrando maneiras de voltar ao púlpito, como se estivéssemos diante de ventríloquos históricos. O autoritarismo troca de roupa, a escória soa como arauto, a intolerância aprende novas palavras e a mentira descobre tecnologias mais eficientes para se apresentar como verdade, um conceito tão, tão… relativizado que chega a dificultar a vida dos escritores de sci-fi. Se observarmos com algum distanciamento, as ameaças à democracia não surgem necessariamente de grandes rupturas: muitas vezes, começam com pequenas concessões, com o desprezo pela identidade do outro, com a naturalização da violência e com a ideia de que alguns direitos são negociáveis. O mais desconcertante é perceber que a humanidade, apesar de toda a experiência acumulada, continua muito bem-disposta a cometer erros que já deveriam ter saído de catálogo — e nossa memória sofre até para assimilar eventos recentes.¹ Seria confortável acreditar que atravessamos um período excepcional e que, passada a turbulência do período eleitoral recente, tudo voltará ao seu devido lugar. Mas a história não funciona assim. Forças obscuras sempre encontrarão oportunidades para reaparecer, especialmente em sociedades marcadas pela desigualdade, pelo medo e pela dificuldade de conviver com as diferenças. É o caso do Brasil ou de qualquer democracia vigiada pelo capital especulativo e por forças extrativistas. A democracia, afinal, não é uma conquista que se guarda numa gaveta depois de alcançada. É um exercício cotidiano, frequentemente cansativo, que exige participação, vigilância e disposição para o diálogo (em tempos de gritaria). Um dos maiores equívocos do nosso tempo é justamente imaginar que a defesa de uma sociedade democrática cabe exclusivamente às instituições, aos políticos ou aos resultados das urnas. A literatura continua, de algum modo, contando e atravessando a vida e o tempo. Escrever não deixa de ser uma maneira de contar o mundo, mas também de interrogá-lo, contradizê-lo e imaginar aquilo que ainda não existe. Um poema não derruba um governo, um conto não revoga uma lei injusta e um romance dificilmente convence um bruto a abandonar suas convicções depois de três capítulos (até porque o bruto dispensa romances). Ainda assim, a literatura preserva experiências, amplia perspectivas e impede que uma única versão da realidade se imponha como definitiva. Não é incomum perceber que governos autoritários ajam tanto na direção da supressão de determinados conteúdos literários como se estes fossem fantasmas escondidos no banheiro. Isso de ler parece perigoso, e não à toa vivemos em um período de desestímulo aos hábitos que possam ocasionar pensamento um pouco mais elaborado. Como dizia Emil Cioran, “mais que um erro de fundo, a vida é uma falta de gosto que nem a morte, nem mesmo a poesia, conseguem corrigir”. O RelevO, cujo programa principal é respirar, depois pensar, depois rir do que pensamos, existe dentro de uma convicção que envolve a liberdade de expressão, a pluralidade de ideias e a literatura como estratégia de enfrentamento ao pensamento homogêneo. Há mais de 16 anos, publicamos literatura em papel, apostando em uma atividade que, segundo os diagnósticos mais pessimistas, já deveria ter desaparecido algumas vezes. Seguimos circulando por cidades brasileiras, reunindo autores, leitores, colaboradores e pessoas que acreditam que a produção literária merece espaço fora dos grandes circuitos comerciais. Não pretendemos salvar a literatura brasileira, tampouco oferecer respostas para os grandes impasses da civilização. Nosso trabalho é muito mais modesto e, justamente por isso, bastante concreto: fazer com que textos encontrem leitores, que escritores encontrem espaço e que diferentes maneiras de compreender a vida possam coexistir nas mesmas páginas. Nada disso acontece isoladamente. Um jornal independente é, antes de qualquer coisa, uma construção coletiva. Depende de quem escreve, de quem lê, de quem compartilha, de quem assina, de quem anuncia e de quem compreende que a continuidade de um projeto cultural não é responsabilidade exclusiva de seus realizadores. Comunidades não se sustentam apenas por afinidades: precisam de vínculos, envolvimento e ações mensuráveis, como assinar, anunciar, divulgar. Temos prestação de contas como compromisso com a transparência e como forma de traduzir nossas ações, dificuldades e limitações em algo tangível. Não gostamos de parecer vítimas, mas acreditamos que a transparência também seja uma forma de fortalecer os vínculos com quem nos acompanha. Não sabemos quais serão os próximos capítulos da política brasileira, nem quantas vezes ainda precisaremos enfrentar velhos fantasmas apresentados como novidades. Por ora, estamos aliviados. Consideramos o RelevO, este romântico abatido até o cinismo, um veículo progressista, alinhado às ideias que promovam liberdade cultural, direitos humanos, diversidade e democracia. Ou seja, um conjunto de valores desgastados por discussões que geralmente atuam na direção da redução de seus lastros e efeitos. Sabemos, enfim, que nenhuma sociedade se torna mais democrática quando seus cidadãos desistem de pensar, criar ou participar. O mundo continuará produzindo suas contradições, e alguém sempre tentará transformá-las em medo, silêncio e obediência. De nossa parte, continuaremos publicando porque acreditamos que uma sociedade também se define pelas histórias que permite contar. Essa continuidade não depende apenas da nossa vontade. Um jornal independente precisa de independência editorial, mas também de dinheiro para pagar suas contas, imprimir suas páginas e remunerar quem trabalha para que elas existam. Financiar o RelevO, seja por meio de assinaturas, anúncios ou contribuições, é garantir que a literatura continue encontrando espaço em um mundo que insiste em reduzi-la a uma atividade dispensável ou que preenche os espaços de apreciação artística com rodas de rato viciantes. Enquanto houver uma comunidade disposta a financiar o nosso jeito de estar no mundo, seguiremos por aqui. E… Ufa!
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Nunca subestimar a incapacidade humana de aprender com as próprias ruínas.
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